Maria Andrade apresenta exposição “Antes, porvir” na OÁ Galeria
Mostra fica em cartaz até 24 de outubro de 2024, em Vitória (ES).

A OÁ Galeria recebe até o dia 24 de outubro de 2024 a exposição Antes, porvir, da artista Maria Andrade, em cartaz no espaço cultural de Vitória (ES). A mostra reúne obras recentes que dialogam entre pintura, desenho e temporalidade, resultado de uma investigação visual amadurecida ao longo dos últimos anos, incluindo experiências vividas em residência artística no Marrocos.

Composta por dois conjuntos de trabalhos, a exposição apresenta camadas temporais que se sobrepõem, ora como aura espiritual, ora como paisagem fabulada, apontando para tempos não lineares que misturam passado, presente e futuro em suspensão.

As obras de maiores dimensões têm forte apelo cromático e gestual, sugerindo paisagens que flutuam entre o mítico e o imaginário. Já os trabalhos de menor formato investem em atmosferas silenciosas e sutis, criadas a partir de manchas, transparências e linhas que transitam entre a pintura e o desenho.

O texto curatorial é assinado por Marina Frúgoli, que ressalta o caráter experimental da produção recente de Maria Andrade e sua relação intuitiva com o tempo, a forma e a matéria.

Sobre a artista
Maria Andrade (São Paulo, 1967) vive e trabalha em São Paulo. Desde 1992, participa de exposições individuais e coletivas, com pinturas a óleo abstratas e figurativas, além de esculturas em zinco e lata. Entre suas mostras mais recentes estão Sem Sombra de Dúvidas (2022), na Galeria Marília Razuk, com texto de Rodrigo Naves, e Cerrado (2021), na Boiler Galeria, com curadoria de Tiago Mesquita. Sua trajetória também abrange atuação como ilustradora, animadora e coordenadora de oficinas educativas.

Sobre a OÁ Galeria
Fundada em 2007 pela galerista Thais Hilal, a OÁ Galeria nasceu com a proposta de valorizar, difundir e contribuir para a construção de um olhar sensível sobre a arte contemporânea. O espaço se destaca por acompanhar o desenvolvimento de artistas visuais e difundir suas obras em diferentes linguagens e propostas.


Entrevista com Maria Andrade
Em suas obras, há uma tensão entre memória pessoal e imaginação. Você acredita que a paisagem é também uma forma de autorretrato?
Sim, as paisagens e na verdade tudo que eu pinto, passa por por um filtro, que sou eu mesmo, com as vicissitudes, memórias, capacidade técnica etc. Sinto que em cada pintura, estou de alguma forma nela. Tanto que, as vezes, antes de uma exposição individual, fico um pouco aflita, como se eu tivesse me expondo, na forma de minhas pinturas. Há um envolvimento em cada pintura, uma viagem, onde coloco coisas minhas, então dessa forma pode-se dizer que seria uma forma de autoretrato.



Sua escolha pela tinta a óleo é muito consciente. Já pensou em experimentar outros materiais ou suportes em trabalhos futuros?
Sempre penso e explorar maneiras e materiais novos, essa inquietude está em mim. Como gosto muito de trabalhar com tinta óleo, acabo sempre pintando com ela, mas procuro muitas vezes usando o óleo em bastão por exemplo. Assim como ferramentas como pintando um acetato e carimbando a tela por exemplo. Em relação ao suporte, gosto muito de pintar em madeira, já pintei em lata, em papelão, e meu radar está sempre ligado para outros materiais.


Muitos artistas relatam que a residência artística transforma o processo criativo. No seu caso, o que a experiência no Marrocos trouxe de novidade para o que veremos em Antes, porvir?
A residência que fiz no Marrocos em 2023, onde fiquei um mês mergulhada na cultura local, em Fes, Tânger, pequenas cidades e os vários artesãos e artesãs que conheci com certeza deixaram uma marca em mim e na minha produção. Sendo uma cultura muito rica e que gosto muito, essa influência aparece nas minhas pinturas de algum jeito, seja nas cores, formatos ou atmosfera. Já na entrada da exposição temos uma pintura que fiz tendo como inspiração um tapete marroquino, por exemplo.


Quando você fala em camadas temporais não lineares, podemos pensar em uma pintura que também lida com a ideia de memória coletiva?
Acho que de alguma maneira isso fala do ser humano, de algo que não é exatamente racional, que vem de sensações, percepções, algo que cada um sente e vê de um jeito, mas que toca a todos, porque acho que estamos todos interligados.


O gesto rápido e vigoroso marca sua pintura. Há alguma relação entre esse ritmo do corpo e o tempo interno da obra que você gostaria que o público perceba?
Os gestos rápidos acho vem de um trabalho anterior, interno, como se estivesse apenas traduzindo uma sensação, uma intuição, que acontece no momento da pintura. As vezes tenho uma ideia do que vou pintar e as vezes apena começo escolhendo cores e a pintura aparece. No dia seguinte retoco, continuo e vejo se a pintura está num bom caminho. Criei um repertório na memória, de formas e cores que recorro e isso me ajuda bastante.


Você começou sua trajetória como professora, ilustradora, designer e musicista. Essas experiências fora da pintura ainda influenciam sua prática artística hoje?
Com certeza, sou a soma dessas experiências, tudo que fiz e vivi estão registrados em mim. Vejo e pesquiso bastante pintura e acho isso bem importante para se criar esse repertório que mencionei antes. Outras formas de arte também, arquitetura, tapetes orientais, artes gráficas, música, cinema.


A paisagem, em sua obra, nunca é apenas representação do real, mas atravessada por atmosferas subjetivas. Como você enxerga a fronteira entre o abstrato e o figurativo em sua poética?
As paisagens para mim são representadas como eu as vejo e consigo fazer. No meu caso não acharia graça em representar algo realista, nem conseguiria, nem me interessa. Todos os filtros das coisas que vi, lugares que fui, o que vivi, coisas que gosto, imagino que servem para minhas pinturas serem como são.


Vitória é uma cidade marcada pelo encontro entre mar, morro e manguezal. Como você imagina que o público capixaba pode se identificar com as atmosferas que você cria em suas telas?Nas minhas pinturas sempre há natureza, em Vitória vcs estão sempre perto dela, diferente da cidade de São Paulo, onde vivo. Além disso acho que existe uma linguagem universal, que em qualquer lugar que estejamos, podemos nos identificar ou nos tocar. Vi pinturas que foram feitas por artistas de outro país, com a vida totalmente diferente da minha, outro tempo, outra cultura, e que me tocaram muito. Se minha pintura puder comunicar isso, ficarei muito feliz.



Para você, qual é o maior desafio de pintar paisagens hoje, em um mundo saturado de imagens digitais e registros fotográficos instantâneos?
Pintar é um desafio, independente de qualquer outra mídia. Acessar a si mesmo para pintar, já é um desafio., corremos risco nos mostrando. A pintura de paisagem não envelhece se é retratada de modo pessoal, pois é única, dessa maneira acho que nada compete com nada.











Serviço
Exposição: Antes, porvir, de Maria Andrade
Período expositivo: até 24 de outubro de 2024
Visitação: segunda a sexta (exceto feriados), das 10h às 19h
Local: OÁ Galeria – Av. César Hilal, 1180, loja 9 – Praia do Suá – Vitória/ES
Telefone: (27) 99944-5001
E-mail: [email protected]
Instagram: @oagaleria
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