Dia Nacional do Surdo destaca papel de professor na construção da inclusão

Dia Nacional do Surdo destaca papel de professor na construção da inclusão

Neste sábado (26) é comemorado o Dia Nacional do Surdo. Um marco no calendário, a data carrega histórias profundas de afeto, resiliência e vitórias diárias contra o isolamento. Uma dessas trajetórias inspiradoras é a do professor Rafael Braga, que hoje usa as mãos para ensinar matemática e a Língua Brasileira de Sinais (Libras), na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Padre Gabriel Roger Maire, em Porto Novo.

Para compreender o impacto da atuação de Rafael, é preciso voltar aos capítulos mais difíceis de sua infância. Em uma época em que as salas de aula não sabiam como dialogar com o silêncio, foram o amor e a determinação de sua mãe que sustentaram seus primeiros passos. “Quando eu cresci, eu estudava em uma escola que tinha muitas barreiras, era muito difícil”, relembra o professor. Diante da ausência de estrutura no ensino formal, o aconchego do lar virou seu grande porto seguro. “A minha mãe, ela me apoiava, me ensinava e não tinha na escola educação especial antigamente”, disse.

As transformações começaram a desenhar um novo horizonte anos mais tarde. “Depois que surgiu, em 2002, a legislação, que aí teve a escola da educação especial, que deu esse apoio em todas as disciplinas”, recorda. Mesmo assim, a caminhada exigia uma força gigantesca, pois os recursos ainda eram escassos.

“Aí depois não tinha intérprete, era outra barreira de comunicação também, não tinha o Atendimento Educacional Especializado (AEE)”. Com perseverança, Rafael superou cada obstáculo, ingressou na faculdade com o suporte de intérpretes de Libras e não parou até alcançar o título de mestre.

Hoje, o menino que enfrentou tantos muros invisíveis retornou ao ambiente escolar com uma missão nobre: ser o abraço, a voz e o apoio que ele próprio não teve no início. Atuando lado a lado com alunos surdos, ele descomplica a matemática e abre portas para o conhecimento, mostrando a cada estudante que o mundo também pertence a eles.

Rafael também promove oficinas de Libras para que ouvintes e surdos aprendam a se conectar com empatia. Ele faz questão de cultivar uma rede de carinho, troca e acolhimento, garantindo que a comunicação seja uma ponte viva de afeto.

Fonte : Prefeitura de Cariacica